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África Negra - História e Civilizações
tomo I
até ao Século XVIII
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| Autor: |
Elikia M'Bokolo |
| Tradução: |
Alfredo Margarido |
| Editora: |
Vulgata |
| Colecção: |
Tempos e Espaços Africanos, nº5 |
| Título da edição original: |
Afrique Noire. Histoire et Civilisations,
jusqu'au XVIIIème siècle, Tomo I. |
| Género: |
Estudos Africanos |
| Colecção dirigida por: |
Isabel Castro Henriques
Joana Pereira Leite |
| Ano da edição: |
2003 |
| Nº de páginas: |
584 |
| Dimensões: |
175 x 260 mm |
| Preço na livraria: |
40.00 euro |
| Preço na Internet: |
30.00 euro |
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Tempos e Espaços
Africanos
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Organização da Edição:
CESA/ISEG - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento. Instituto Superior de Economia e Gestão; CEA/FLUL - Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e RIUEA - Rede Inter-Universitária de Estudos Africanos.
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Uma das razões pelas quais decidimos traduzir a História de África de Elikia M'Bokolo assenta na ausência de manuais fiáveis em português consagrados a um continente com o qual os portugueses mantêm, há mais de cinco séculos, relações senão privilegiadas, pelo menos intensas. O nosso paradoxo reside no facto de ser impossível estruturar a História de África sem recorrer aos milhares de documentos portugueses, concentrados em muitos arquivos, tanto portugueses como estrangeiros, tal como somos obrigados a utilizar tanto diários de bordo como relatos de expedições, para estarmos em condições de organizar uma história tão longa e tão complexa. A História de Africa de Elikia M'Bokolo associa a tecnicidade da história dos europeus e dos americanos, à sensibilidade e à experiência africanas: esperamos por isso que ela despolete as investigações indispensáveis a uma análise mais rigorosa das estruturas africanas na sua muito longa duração. Se Hegel ainda não podia encarar a existência de uma lógica histórica entre os povos africanos, Elikia M'Bokolo dá a resposta africana ao filósofo alemão, provando de maneira sistemática a coerência da História de África, para lá dos etnicismos e dos regionalismos que a têm travado.
Acrescente-se uma observação técnica: fomos obrigadas a manter em francês muitos termos geográficos, assim como alguns etnónimos, por não dispormos de regras capazes de permitir a sua portugalização, sempre que esta podia ser útil, e às vezes mesmo indispensável. Se o Dicionário de José Pedro Machado nos foi, apesar das suas imensas lacunas, deveras útil, já o recentíssimo Dicionário da Academia, ou assim chamado, se revelou muito desapontador.
Isabel de Castro Henriques
Joana Pereira Leite
Abril de 2003
Introdução do Autor à Edição Portuguesa_________________________
Não podia ser mais bem-vinda a tradução em língua portuguesa desta nova história da África negra.
Porá ela este ensaio à disposição de leitores, que esperamos sejam numerosos, não só em Portugal, mas também no Brasil, e nos países africanos de língua portuguesa. Estes, mergulhados durante demasiado tempo em cruéis e caras guerras civis, encontraram-se travados no seu desejo legítimo de se abrir, em particular intelectualmente, a estas outras Áfricas das quais, preço da história, se tinham encontrado mais ou menos largamente isoladas. O acesso deste novo público a esta historiografia pode ser um desafio que desejamos fecundo e salutar.
Porque em toda a parte, na própria África de ambos os lados do Sara, do Mediterrâneo, do Atlântico e do Oceano Índico, se pode perceber, mais do que o interesse pelo passado africano, uma autêntica necessidade de história africana. Não será pouco dizer que a África se mexe. Os sons, os gritos, as cores, as imagens que se fazem ouvir e ver em todas as partes do continente são os das sociedades empenhadas em tarefas gigantescas que longe de ser em primeiro lugar e apenas tarefas de destruição e de morte, são as de actualizações, de refundações, de contestações e de invenções. E, apesar das respostas necessárias que é necessário dar às urgências, começa-se muito bem a ver que aquilo que se aborda remete para interrogações, movimentos, aspirações e dinâmicas de longa, quando não até de muito longa duração, quer se trate de Estado, de nação, de fronteira, de trocas, de religião, de língua, de demografia, de migrações ou desta mesma identidade de África negra.
É por isso que, desde a sua concepção, na sua elaboração e na sua apresentação final, o que este livro quis e continua a querer, não é apenas oferecer factos, dos quais se sabe ser primeiro trabalho dos historiadores construí-los: há cerca de meio século que os historiadores da África produzem continuamente estes factos, de maneira a empurrar cada vez para mais longe os limites da dúvida, da ignorância e do desconhecimento. Por isso, numerosos debates de ontem deixaram hoje de ter sentido. Quem poderia ainda perguntar-se se a África tem uma história, se as sociedades africanas são portadoras e produtoras de história? Contudo tal não é suficiente. Continua a ser necessário dar a ler estes factos em torno de interrogações e de hipóteses, ou seja de problemáticas e de conceitos, que se oferecem à discussão e que convidam, quando não provocam, ao debate. Porque é sempre assim que se torna fecunda a produção do saber.
Encontrar-se-á neste livro a marca de um historiador por profissão e paixão: aberto a todas as outras ciências sociais; bem instalado no território sem fronteiras do historiador; conhecedor, por neles ter estado integrado, dos combates de ontem, de hoje e daqueles que se esboçam para amanhã; atento em designar os estaleiros que solicitam e esperam o trabalho de outros historiadores e de outros especialistas das ciências sociais.
Está assim lançado o apelo para que outros se reúnam a nós e assumam a transmissão nesta tarefa inesgotável.
A tradução do livro só foi possível graças à tenacidade e perseverança de duas colegas, Joana Pereira Leite (ISEG, Universidade Técnica de Lisboa) e Isabel de Castro Henriques (Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa), cuja amizade exigente se mostrou sempre constante. Tenho a grande alegria de as saudar aqui. É também um testemunho de amizade e uma honra para mim que a tradução deste livro tenha sido realizada por Alfredo Margarido, com o talento literário que lhe conhecemos e reconhecemos, mas também com a visão crítica e a vigilância intelectual do especialista das ciências sociais e da África que ele é. Qualquer imperfeição, erro ou insuficiência que venham a subsistir neste livro são naturalmente da minha inteira responsabilidade.
Elikia M'Bokolo
Abril de 2003
Introdução______________________________________________
Este volume I de África Negra, história e civilizações ocupa-se do período menos conhecido da história africana e um dos mais difíceis de abordar.
África pré-colonial? África tradicional? Apesar da força considerável dos hábitos e das falsas evidências do senso comum, temos de nos decidir de maneira definitiva a deixar de concentrar estes longos séculos sob o epíteto aparentemente cómodo, mas inteiramente anacrónico e errado, de "pré-coloniais". Regista-se, com efeito, pelo menos, um erro de perspectiva, quando não um preconceito prenhe de implicações intelectuais mas também políticas, quando se pretende dar um sentido à evolução muito longa e inacabada de um continente e partir do último século da sua história: o século colonial. Semelhante miopia não se explica apenas pelo facto de este século ser o mais próximo de nós. Deriva também do facto de muitos continuarem a aí encontrar a legitimidade das suas posições actuais. Ora, o mínimo que se pode exigir ao historiador é que se abstraia, até onde for possível, das pressões afectivas e sociais do tempo presente. De resto, todas as características que as duas lendas da colonização - a lenda negra e a lenda dourada - lhe atribuem encontram-se com uma intensidade variável conforme as regiões e as épocas, no período abusivamente designado como "pré-colonial": abertura aos mundos exteriores; hegemonismos externos e internos; polarizações sociais; pauperização, dependência e desigualdade dos ritmos de crescimento económico e das formas de desenvolvimento social; alienação, aculturação ou afirmação de personalidades próprias...
A noção de "civilizações tradicionais", mesmo se dispondo em bloco de um crédito maior, não é em nada mais adaptada do que o conceito de "África pré-colonial". Começa hoje a ver-se que a "invenção da tradição" (E. Hobshawm e T. Ranger), fenómeno que não é exclusivamente africano, foi o resultado de um processo complexo para o qual concorrem as obras clássicas da etnologia, as elites políticas e intelectuais africanas e a maior parte das próprias sociedades africanas. O conceito de "civilizações tradicionais", cuja elaboração, produção e significações constituem um dos objectos da história, não poderia por isso tornar-se, de maneira alguma, um instrumento teórico nas mãos do historiador. Com efeito, não permite ele que se encerre a África negra numa espécie de opacidade cultural e num imobilismo do qual, para seu bem ou para seu mal conforme as opiniões, só teria saído sob o efeito dos recursos ou das pressões exteriores? Ver-se-á neste livro que, longe de estar cheio apenas com as continuidades, este tempo longo do passado africano foi talvez, em primeiro lugar, o das invenções contínuas, sob a forma de uma incessante "manipulação", de laboriosas adaptações ou de rupturas radicais.
Exercício obrigatório do ofício de historiador trabalhando sobre África, a procura de uma etiqueta que seria indispensável custe o que custar colocar sobre períodos previamente determinados pelos especialistas constitui, por isso, sem a menor dúvida, um exercício assaz vão e estéril. Basta dizer aqui porque razão e em que sentido se retiveram os séculos VII e XVII. A escolha do terminus a quo depende essencialmente de considerações historiográficas. O século VII, - que deve ser considerado naturalmente uma data larga - é o momento em que, saindo dos "séculos obscuros" (R.Mauny), a África se presta enfim a todas as exigências do historiador. Antes desta época este era obrigado a colaborar a maior parte das vezes em situação minoritária com outros saberes - arqueologia, pré-história, paleontologia, biologia, genética, linguística... - cujas interrogações e contribuições constantemente renovadas aparecem dotadas de uma fecundidade insubstituível. Mais ou menos a partir do séc. VII o historiador dispõe de um poder soberano sobre um domínio cujos limites alarga constantemente e que sabe, se tal for necessário, partilhar com as outras disciplinas. Sabe-se que a produção do saber histórico deste período só foi possível graças a consideráveis inovações metodológicas tais como a revalorização e a exploração das fontes orais e teóricas, ou a formulação de perguntas constantemente renovadas ao passado africano. Quanto ao terminus ad quem, parece-me que ele se afirma vantajosamente nos finais do século XVIII ou nos princípios do século XIX, de preferência ao fim do século XIX, no momento da intrusão colonial, como se pensa habitualmente. É com efeito na viragem dos séculos XVIII e XIX que, sem negar a importância das rupturas ulteriores, se assiste claramente à afirmação das dinâmicas e tendências pesadas, estudadas no volume II, que iriam prolongar-se sob a colonização e algumas vezes até à nossa época.
Continuidade, adaptações, cesuras: é na combinação destes processos que se exprime, em África como alhures, o movimento da história. A particularidade relativa da África reside na natureza dos objectos que dão melhor conta destes processos. Ora, estes objectos revelam-se cada vez mais numerosos e cada vez mais diversos. É necessário reler hoje os grandes clássicos deste último meio século para medir o caminho percorrido e para nos darmos conta a que ponto, e com que rapidez, se alargou o "território do historiador" consagrado a Africa. O colóquio de Dakar, nos princípios dos anos 60, propunha ao historiador um reduzido número de objectos privilegiados: as migrações, o Estado e as trocas. Agora, abordamos um terreno muito mais amplo, onde quase nada escapa à avidez escrutadora do historiador: ecologia e demografia; técnicas e culturas materiais; economia e relações sociais; culturas, crenças e mentalidades; povoamento e práticas identitárias; articulação de dinâmicas durante muito tempo consideradas como exclusivas (a externa e a interna, o global e o local)...
Qual a escala a que convém tratar estes objectos? A, única, da África ou a, múltipla, das Africas? Diria as duas ao mesmo tempo, uma revelando-se mais pertinente do que a, outra conforme as épocas. Se a problemática das "origens" que participa largamente nos processos identitários e privilegia por isso a unidade da "Africa negra" (Cheikh Anta Diop), aparece como uma problemática mais ideológica do que científica, pareceu-me apesar disso necessário (Capítulo I) enunciar as apostas e os termos dos debates africanos consagrados às "origens": origens e antiguidade das civilizações africanas, assim como origens africanas da humanidade e história positiva das primeiras civilizações conhecidas em África. A África é abordada em seguida (capítulos II, V, VII) por ela própria, nas suas realidades e não já nos mitos que suscitou, de uma maneira simultaneamente sintética e regional, global e local, em torno das questões e dos projectos principais que a historiografia pôs em evidência. "África Negra", esta África aparece largamente aberta à África mediterrânica e aos dois espaços marítimos - o Oceano Índico e o Oceano Atlântico - que foram e continuam a ser fronteiras muito permeáveis, portadoras de todas as potencialidades. A natureza, a importância e os efeitos destas interacções nas fronteiras alimentam na historiografia assim como na memória dos africanos, um debate de uma gravidade tal que ocupam eles dois capítulos (III, IV), tão descritivos como polémicos. Não haverá razão para surpresas perante as diferenças voluntárias e sensíveis entre as maneiras de expor e até dos tons adoptados nas diferentes partes do livro: "história - narrativa" e "história - problema", sobriedade desejada e busca do pormenor, dependem dos tempos e dos problemas em causa. É que, parece-me, no próprio momento em que nasceu o discurso histórico, o historiador nunca se satisfez a "contar o que fora" (Heródoto): quis, também eu, explicitar aqui o que teria sido errado calar, não só os debates entre especialistas acrescentado pelo trabalho constante, sempre visível por mais longe que se volte atrás, da memória colectiva dos africanos sobre o seu próprio passado. Semelhante opção permite salientar aquilo que as desgraças do tempo presente mostram de maneira ampla, ou seja que a relativa serenidade da história sábia não suprime, desgraçadamente, as derivações passionais das bricolagens e dos tráficos sobre a memória e o passado.
A síntese aqui apresentada foi um trabalho de grande fôlego. Falta-me agora satisfazer a agradável tarefa de agradecer a todos os que, desta ou daquela maneira, contribuíram para a sua elaboração e armação. Na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, lugar incomparável de trocas, de partilha e de debates, os investigadores que participavam no meu seminário puderam tomar conhecimento das partes desta obra e ofereceram-me o beneficio das suas críticas, sempre fecundas. Aprendi muito com numerosos colegas que estiveram associados de muito perto à maturação deste livro: especialistas da África, em particular Denise Robert (CNRS), Robert Vernet (Universidade de Niamey), Emile Mworoha (Universidade de Bujumbura e ACTT) e Michel Aghassian (EHESS); tal como as "diásporas africanas", mais particularmente Nilda Anglaril (Centro Argentino da Investigação Científica), Nina S. de Friedmann (Bogotá), Luz Maria Martinez Montiel (México) e Dieudonné Gnammankou (INALCO). A montagem deste volume, como a do volume II, deve muito a Sophie le Callennec cuja amizade soube ser, durante as diferentes etapas deste livro, vigilante e eficaz.
Elikia M'Bokolo
Índice____________________________________________
Índice das ilustrações
Capítulo I. As heranças africanas
I. O adquirido: outra África a redescobrir
A - A anterioridade africana
A África e o processo de hominização, 20.
A África e o género Romo, 22.
B - Um continente aberto
A África negra e o mundo mediterrânico, 28.
O oceano Índico, lugar de trânsito e mar interior, 38.
II. Debates e combates
A - Mitos e lendas
A questão das fontes, 46.
Os mitos "científicos", 49.
B - O imbróglio do Egipto faraónico
O veredicto incerto das fontes, 54.
A racialização da questão egípcia, 57.
III. A emergência das civilizações africanas
A - As civilizações materiais
Da colecta à agricultura, 64.
A metalurgia do ferro, 67.
B - As primeiras formações estatais
A Núbia e Kush, 76.
Axum, 86.
Bibliografia do capítulo
Capítulo II. Estados e Sociedades (séculos VII-XV)
I. A África do Nordeste
A - A difícil sucessão de Méroe
A explosão do reino de Méroe, 102.
Unificação e cristianização, 105.
Arabização e Islamização, 107.
B - De Axum ao Império do négus
O descalabro de Axum, 110.
O advento dos sultanatos muçulmanos, 113.
A rectificação abissínia, 116.
II. Os Estados sudaneses
A - Um espaço original
O povoamento: um fundo negro enriquecido por contribuições exteriores, 122.
Economias de subsistência e aumento das trocas, 126.
B - Dinâmicas sociais múltiplas
A islamização: uma história a reescrever, 132.
Uma vida urbana florescente, 141.
Um domínio desconhecido: as sociedades rurais, 149.
C - Uma grande diversidade das formações políticas
Tipologias frágeis face à história, 154.
Mais impérios do que reinos, 157.
III. Os Estados das savanas meridionais
A - O Império do "mwene mutapa"
Sítios arqueológicos impressionantes, 163.
Da arqueologia à história: um percurso laborioso, 167.
Processos de formação e estruturas do Estado: um terreno pouco firme, 171.
B - O reino do Kongo
Origens obscuras, 180.
A fundação do reino: mito e história, 188.
O Estado Kongo: inovações e contradições, 194.
Axum, 86.
Bibliografia do capítulo
Capítulo III. Os tráficos negreiros (séculos VII-XVI)
I. Um comércio antigo em crescimento contínuo (séculos VII-XVI)
A - Tráfico árabo-mulçumano
Tráfico e escravatura pré-islâmicos, 209.
Tráfico e escravatura nos primeiros séculos do Islão, 212.
Utilizações dos escravos africanos, 221.
Depreciação e valorização; a imagem, dos africanos, 231.
B - O oceano Índico e a Africa oriental
Um mercado de primeira importância: a India, 233.
Incertezas chinesas e extremos-orientais, 244.
II. Nascimento e expansão do tráfico europeu
A - A entrada em cena da Europa
Vias árabes e apetites europeusm, 249.
A abertura do Atlântico: "a primeira invenção da Guiné" (Diogo Gomes), 253.
Do tráfico afro-europeu ao tráfico transatlântico, 266.
B - O tráfico atlântico, um bom negócio
A solicitação das Américas: economias gulosas e vorazes em homens, 269.
O tráfico, uma organização muito complexa, 287.
III. O tráfico continental e oriental: permanências e renovação
A - O oceano Índico: recuo árabe e avanços europeus
Árabes e portugueses: do afrontamento à coexistência, 297.
O tráfico europeu: o tempo das experimentações (1507-1715), 300.
O tráfico europeu: a idade de ouro dos franceses (ca. 1715-1810), 302.
B - O tráfico continental: uma dinâmica contínua
As necessidades em escravos na África mediterrânica, 309.
As mercadorias: os produtos e os homens, 313.
As práticas comerciais: caminhos e mercados, 315.
Bibliografia do capítulo
Capítulo IV. Tráficos negreiros e diásporas africanas: problemas historiográficos
I. A querela dos números
A - O tráfico atlântico: "A comédia dos erros" (Hubert Deschamps)
A tentação revisionista, 322.
Uma empresa difícil, 324.
B - Tráfico negreiro e capitalismo europeu
A bomba Eric Williams, 328.
Um debate amplamente aberto, 332.
C - O tráfico árabe: um comércio difícil de calcular
As exportações de escravos, 335.
Tráfico e economia, 339.
II. Assimilar ou ser assimilado: os caminhos da integração
A - Mitos e realidades do Novo Mundo
Calhambolagem, palenques e quilombos: das resistências às formas múltiplas, 342.
Integrações americanas e fidelidades africanas, 348.
B - Os paradoxos do mundo árabe
Marrocos, uma excepção?, 352.
Marginalização e resistências dos escravos negros, 358.
III. A escravatura dos negros: interesses económicos e problemas de consciência
A - O problema do tráfico e da escravatura
O debate religioso, 363.
O debate ideológico e político, 370.
B - Raça e cultura
O preconceito da cor, 373.
Teorias das raças e racismo anti-Negro, 375.
O anti-racismo: um movimento lento e ambíguo, 378.
Bibliografia do capítulo
Capítulo V. A África na esteira dos tráficos esclavagistas (séculos XV-XVIII)
I. Um peso global difícil de medir
A - O quebra cabeças demográfico
Dificuldades técnicas insuperáveis, 386.
Os efeitos incalculáveis, 388.
B - Tráfico e economia: o problema do sub-desenvolvimento
O tráfico, um fenómeno destruidor, 392.
O tráfico, um facto marginal nas economias africanas?, 393.
O tráfico, gerador de estruturas duradoiras, 395.
C - Tráfico e sociedade: reorganizações profundas dos edifícios sociais
Novas polarizações sociais, 398.
A extensão da escravatura, 400.
A deterioração da condição das mulheres, 401.
D - Uma África plural
II. Modificações e reajustamentos das sociedades africanas
A - A decomposição dos antigos Estado: mito ou realidade?
O reino do Kongo, 405.
O oceano Índico e o reino do mwene mutapa, 418.
B - Guerra, comércio e religião: a busca de novas legitimidades
Reinos autoritários e Estados militares, 426.
Repúblicas aldeãs e sociedades aristocráticas, 443.
C - As vias da salvação
A busca de um Islão popular, 449.
A reapropriação do cristianismo, 462.
Revoltas, fugas e calhambolagens, 467.
III. O começo do processus colonial
A - Feitorias europeias, mestiçagem e aculturação
Um grupo charneira: os mestiços, 474.
Mestiços e intermediários africanos: uma classe ascendente, 476.
B - A dinâmica do oceano Índico
Cidades-Estados árabes e civilizações suaíli, 481.
Os prazos moçambicanos: a "africanização" dos portugueses e dos indianos, 488.
C - Uma excepção de longa duração: a África do Sul
A anterioridade africana, 494.
A presença europeia: acaso e necessidade, 495.
Uma sociedade plural e fragmentada, 498.
Bibliografia do capítulo
Capítulo VI. As dinâmicas de longa duração (séculos XV-XVIII)
I. A recomposição dos antigos espaços políticos
A - O bloco abissínio: entre fragmentação e unificação
Ameaças externas e hipotecas internas, 508.
O restabelecimento, 511.
"O tempo dos juizes", 515.
B - O declínio dos Estados sudaneses: mitos e realidades
Uma crise dos Estados muçulmanos?, 518.
A desforra dos Estados pagãos?, 532.
C - Os "reinos da savana"
As savanas, um lugar de convergência, 540.
Realezas sagradas e impérios co- merciais, 548.
II. A formação de novos espaços políticos
A - A Grande Ilha Prestígio e fragilidade dos reinos sakalave, 556.
A demorada emergência do Imerina, 558.
Concentração e fragmentação, 560.
B - Os países dos Grandes Lagos
O peso dos mitos e das lendas, 562.
A meada do povoamento, 563.
A emergência dos reinos, 564.
C - Os povos da floresta
Redescobrir a floresta, 568.
Uma história de longa duração, 570.
Processus globais e processus locais, 572.
Bibliografia do capítulo
Bibliografia geral
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