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Álcool e Escravos
O comércio luso-brasileiro do álcool em Mpinda, Luanda e Benguela durante o tráfico atlântico de escravos
(c.1480-1830) e o seu impacto nas sociedades da África Central Ocidental
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| Autores: |
José C. Curto |
| Prefácio: |
Alfredo Margarido |
| Editora: |
Vulgata |
| Colecção: |
Tempos e Espaços Africanos, nº3 |
| Edição USA: |
UMI, Dissertation Services.
A. Bel & Howel Company, 1997 |
| Tradução: |
Márcia Lameirinhas |
| Género: |
Estudos Africanos |
| Colecção dirigida por: |
Isabel Castro Henriques
Joana Pereira Leite |
| Primeira edição: |
2002 |
| Nº de páginas: |
402 |
| Dimensões: |
155 x 225 mm |
| Preço na livraria: |
25.00 euro |
| Preço na Internet: |
20.00 euro |
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Tempos e Espaços
Africanos
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Organização da Edição:
CEsA/ISEG - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento. Instituto Superior de Economia e Gestão; CEA/FLUL - Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e RIUEA - Rede Inter-Universitária de Estudos Africanos.
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Prefácio (pequeno excerto)________________________________________
Este livro de José C. Curto vem somar-se a uma já longa lista de trabalhos de historiadores consagrados à problemática da produção, da importação e do consumo das bebidas alcoólicas no continente africano. Ciente da complexidade do problema, quer no campo das ideologias, quer no campo das quantidades e dos preços, assim como dos lucros, José C. Curto concentrou a sua atenção na costa ocidental e mais particularmente nos territórios que mais tarde, com a notável excepção de Mpinda, foram integrados pelo colonialismo português na nova unidade política Angola, possuindo dois pólos comerciais autónomos: Luanda a norte, Benguela, a sul, abrindo caminho para as terras de leste.
A cronologia depende das próprias condições históricas, pois os portugueses chegaram ao Congo e à embocadura do Zaire já em 1483, certamente portadores de vinho, pois a bebida pertencia à lista dos fármacos correntes. O seu termo resulta da evolução do tráfico dos escravos, que condicionou a própria organização comercial e produtiva do Atlântico sul, e que conhece o seu fim graças à legislação elaborada pelo Conselheiro Euzébio de Queiroz, um deputado brasileiro de origem angolana.
Estamos perante um documento complexo, multifacetado, condição indispensável à compreensão deste tipo de actividade comercial, que por sua vez incide sobre as economias não só do continente africano, pois obriga a modificações tanto na América, e mais particularmente no Brasil, como na Europa, e mais particularmente em Portugal. A produção e o comércio das bebidas alcoólicas estão directa e constantemente associados à comercialização e à exportação de escravos africanos para as Américas e, no caso português, mais especificamente para o Brasil.
José C. Curto não consegue furtar-se à ideologia dominante entre os historiadores que importam os juízos morais que, entre o calvinismo, o espírito vitoriano e a lei seca norte-americana, condicionam a nossa leitura do consumo do álcool. Nesta óptica, condenam-se os portugueses por terem levado para o continente africano milhares e milhares de litros de vinho e de bebidas alcoólicas dele derivadas - entre as quais a aguardente - considerando-se que tais bebidas estavam traficadas, aumentando-se o seu volume graças ao acrescento de água e de especiarias.
Este livro mostra de maneira clara que este comércio se divide em duas épocas: a primeira, caracterizada pela hegemonia dos portugueses, é dominada pela importação e a comercialização do vinho e dos seus derivados imediatos. A segunda, iniciada pelos holandeses em 1641, após a ocupação de Luanda, é caracterizada pela importação de cachaça brasileira, um subproduto da produção do açúcar. Cada um destes períodos suscita não só produções, mas permite a criação de estruturas comerciais que, no caso português, assinalam de maneira notável a perda de prestígio e de rendimentos dos agricultores e dos comerciantes portugueses. A contrapartida reside na ascensão dos produtores e dos comerciantes brasileiros, particularmente no Recife, na Bahia e sobretudo na Baía de Guanabara. (continua...)
Alfredo Margarido
José C. Curto____________________________________________
Doutorado em História de África pela University of California, Los Angeles, é desde 1998 Professor Assistente no Departamento de História da York University de Toronto, Canadá. As suas áreas de investigação incluem o comércio de álcool-escravos, a análise demográfica e a escravatura em Angola. Tem estudos editados em publicações periódicas, tais como: Portuguese Studies Review, Studia Africana, Topoi (Universidade Federal do Rio de Janeiro), International Journal of African Historical Studies, Annales de démographie historique, África (Universidade de São Paulo), African Economic History, Revista Internacional de Estudos Africanos e History in Africa. E também autor juntamente com Raymond R. Gervais, de Bibliography of Canadian Master's Theses and Doctoral Dissertations on Africa, 1905-1993 / Bibliographie des mémoires de maîtrise et thèses de doctorat canadiens sur l'Afrique, 1905-1993. (Montreal: Canadian Association of African Studies, 1994).
Índice____________________________________________
PREFÁCIO - Um livro trágico
AGRADECIMENTOS
ABREVIATURAS
INTRODUÇÃO
Álcool e História em África
CAPÍTULO UM
Vinho de Palma e Cerveja: Bebidas Alcoólicas nas Sociedades
da África Central Ocidental durante os Primeiros Contactos com os Europeus
CAPÍTULO DOIS
A Introdução do Álcool Europeu na África Central Ocidental
CAPÍTULO TRÊS
O Comércio Luso-Brasileiro do Álcool no Reino do Kongo
Durante o Tráfico Atlântico de Escravos, c. 1480-1830
CAPÍTULO QUATRO
O Comércio Português do Álcool em Luanda e seu Hinterland
no Período Inicial do Tráfico de Escravos, c. 1550-1649: O Reinado de Baco
CAPÍTULO CINCO
Comerciantes Coloniais Brasileiros versus Capitalistas Mercantis Portugueses
e a Luta pelo Comércio do Álcool em Luanda, c. 1650-1699: A Queda de Baco
CAPÍTULO SEIS
O Comércio Luso-Brasileiro do Álcool em Luanda
durante a Plenitude do Tráfico de Escravos: o Século da Gerebita, c. 1700-1830
CAPÍTULO SETE
O Rendimento do Álcool Luso-Brasileiro no Tráfico de Escravos em Luanda e seu Hinterland
CAPÍTULO OITO
Outras Utilizações do Álcool Luso-Brasileiro em Luanda e no seu Hinterland, c. 1550-1830
CAPÍTULO NOVE
O Comércio Luso-Brasileiro do Álcool em Benguela
e no seu Hinterland durante o Tráfico Atlântico de Escravos, c. 1617-1830
CONCLUSÃO
O Impacto do Comércio Luso-Brasileiro do Álcool nas Sociedades da África Central Ocidental
GLOSSÁRIO
ANEXO DE QUADROS
BIBLIOGRAFIA
ÍNDICE DOS MAPAS
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